GESTÃO DE SAÚDE POPULACIONAL NAS EMPRESAS FOI TEMA DE EVENTO DA APMT

No dia 05 de agosto aconteceu na Associação Paulista de Medicina (APM) o evento "O Médico do Trabalho na Gestão de Saúde Populacional, um olhar além da gestão de crônicos". Um dos coordenadores do evento, o Dr. José Domingos Neto, fala sobre a importância do evento, que contou com a participação de representantes de grandes e médias empresas e representantes de associações de classe de médicos do trabalho.

QUAL FOI O OBJETIVO MAIOR DESTE ENCONTRO?
O foco do evento foi as novas perspectivas de atuação profissional do médico do trabalho no âmbito da medicina do trabalho.  Nessa nova perspectiva, chamada de Saúde Integral do Trabalhador, há um esforço para integrar Programas de Saúde e Segurança no Trabalho com Programas de Promoção da Saúde em Ambiente de trabalho. O primeiro objetiva, principalmente, em fatores de risco ocupacionais e tem como intuito evitar doenças, lesões e incapacidades de trabalhadores. O segundo Programa visa ações de saúde para promover a saúde em ambiente de trabalho, focando também em fatores de riscos considerados não-ocupacionais.

ESTA É UMA TENDÊNCIA PARA A SAÚDE OCUPACIONAL?
Não só tendência. Existem motivos objetivos para o florescimento dessa nova visão de medicina do trabalho.  Em 2011, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizou uma pesquisa com brasileiros chamada "Iniciativa Vida Melhor" apontado a "Saúde", na segunda colocação entre os itens mais valorizados para se ter uma vida melhor estando à frente da satisfação pessoal, segurança e equilíbrio vida-trabalho e outros. Dessa maneira, entende-se a importância que é atribuída à saúde suplementar tanto pelas empresas como pelos trabalhadores.

NUM MOMENTO EM QUE O PAÍS SE ENCONTRA EM RETRAÇÃO DA SUA ECONOMIA, HÁ UMA PREOCUPAÇÃO PELAS EMPRESAS SOBRE OS CUSTOS DA SAÚDE SUPLEMENTAR. PODERIA NOS FALAR UM POUCO MAIS SOBRE ESTES CUSTOS?
No cenário da saúde suplementar brasileira e considerando a perspectiva das empresas, há desafios a serem enfrentados, e o principal estigma torna-se o custo crescente da saúde suplementar ofertada a trabalhadores e aos dependentes. O crescente custo da saúde suplementar é multifatorial. Pode-se citar o envelhecimento do mercado de trabalho com advento das doenças crônicas não-transmissíveis, o avanço médico com a incorporação de novas tecnologias em saúde, o modelo de custeio de saúde suplementar que privilegia os métodos de conta aberta (Fee for Service) em detrimento aos métodos de conta fechada (Diagnosis Related Groups), o baixo fomento da medicina baseada em evidências na formação médica e outros.

NA SUA OPINIÃO, O MODELO ATUAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR BRASILEIRA PRIVILEGIA OS ALTOS CUSTOS?
De fato, existem estigmas que unem tanto o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Saúde Suplementar, que é a presença de modelos bastante reativos e que, no geral, apenas agem no momento que os sintomas surgem em um indivíduo (prevenção secundária tardia) ou agem no momento que há incapacidade em um indivíduo (prevenção terciária). Dessa forma, temos um panorama bastante extenso da problemática associada a custos de saúde para empresas e trabalhadores. Ao mesmo tempo, temos a possibilidade de compreender a oportunidade de atuação do médico do trabalho diante deste cenário.

COMO A MEDICINA DO TRABALHO PODE CONTRIBUIR PARA ENFRENTAMENTO DESTE CENÁRIO APRESENTADO?
Os principais Programas de Saúde e Segurança no Trabalho são o PPRA e o PCMSO, respectivamente, e permitem atuação em ações de saúde para evitar doenças ocupacionais (prevenção primária) e para identificar doenças na fase sem sintomas (prevenção secundária precoce). Dessa forma, ao complementar a atuação em saúde sobre os fatores de risco não-ocupacionais como nos Programas de Promoção da Saúde em Ambiente de trabalho teremos, assim, uma atuação objetiva do médico do trabalho sobre parte da problemática envolvida nos custos em saúde para empresas e para trabalhadores e seus dependentes. Contudo, como visto no evento, nossa atuação pode ser ainda mais abrangente com atuação, também, em outros pontos associados ao custo em saúde. De qualquer forma, diante dessas oportunidades estabelecidas cabe ao médico do trabalho compreender as ferramentas para enfrentamento desses desafios e permitir assim a sua pertinente inclusão nessa nova perspectiva de gestão da saúde populacional no ambiente de trabalho.

ALGUM OUTRO EVENTO QUE A APMT TEM PROGRAMADO AINDA PARA ESTE SEMESTRE?
Sim, teremos o SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO EM SERVIÇOS DE SAÚDE, que acontecerá nos dias 28 a 30 de setembro, em São Paulo, com o objetivo de contribuir com a formação do médico do trabalho, através de temas do dia-a-dia dos profissionais que trabalham em serviços de saúde.  Para se inscrever, acesse http://www.blcongressoseventos.com.br/Eventos.asp?context=detalhes&id_evento=102

Doutor José Domingos Neto possui título de especialista em Médico do Trabalho pela ANAMT e em Clínica Médica pela UNIFESP. Atua profissionalmente pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz (HAOC) e pela Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco do Brasil (CASSI).

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